segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Prof. Ms. Odair Borges: Tradição é a manutenção da chama


Em decorrência das constantes e confusas mudanças nas regras pela Federação Internacional de Judô, nós, professores e dirigentes, precisamos nos posicionar contra essas atitudes inseguras, confusas e dubitativas da FIJ, levando o Judô a este cenário lastimável em que se encontra. A competição acabou por impor limitações para o progresso técnico e o desenvolvimento pessoal, e, continuando assim, o Judô perderá sua essência. Muitos atletas competidores deixam a desejar como conhecedores e praticantes do verdadeiro Judô. É o resultado da forma inadequada de ensino de professores  que precocemente ensinam seus alunos a lutar e competir em busca do resultado imediato e se esquecem dos processos de aprendizagem, da  prática constante, e de vivenciar integralmente o Judô, o que muito nos deixa preocupados com o futuro..

Não creio que seja minha, a única voz de contrariedade e insatisfação com o Judô competitivo que está sendo apresentado. Há tempos o Judô vem sendo descaracterizado por influencia de outras lutas não olímpicas. Dentre outras podemos citar algumas como: Sambo (Russia), Kurash (Usbekistão) e Bökh (Mongolia), cujos praticantes adaptaram-se e passaram a praticar Judô, pois desta maneira poderiam participar nos campeonatos Internacionais e Jogos Olímpicos.

Desde 1974 com a introdução das pontuações koka, yuko e as penalidades, não mais se buscou  o Ippon, a técnica perfeita. Qualquer queda passou a valer alguma pontuação e os atletas e "professores / técnicos" começaram a adotar táticas de luta para provocar penalidades no adversário por falta de combatividade e saídas da área de luta. A dificuldade para segurar no judogui era e continua evidente. Uma das mais importantes habilidades técnicas; a pegada (Kumi Kata), o contato direto, onde o judoca tem o controle, o domínio e a segurança de ambos, ainda não foi resolvido, o que chega ser um contra senso, pois o judogui foi adaptado para que se tenha o adversário  nas mãos.

No principio me pareceu que os dirigentes que foram praticantes e campeões do verdadeiro e tradicional Judô estavam preocupados em resgatar o  que aprendi, pratiquei, competi e vivi, mas não perceberam o caminho desastroso que estariam levando o Judô e seus princípios.

Estamos observando,  proposições de mudanças ridículas, técnicas essenciais e tradicionais foram descartadas e proibidas, avaliações errôneas e equivocadas que, de quando em quando, mudam os critérios, e o pior; árbitros submissos, sem autoridade e decisões de lutas "extra Shiai-jo", decididas por componentes da coordenação ou "mesa técnica" da arbitragem da FIJ, que por sinal, me parecem ser os protagonistas de mudanças que malferem profundamente os mais caros atributos educacionais preconizados pelo professor Jigoro Kano.

Tudo o que aqui foi descrito é oriundo de valores tradicionais abandonados, e, assim continuando, temo que o Judô venha a ser sacrificado e eliminado como modalidade Olímpica. Sim é passível disso. O Futebol, por outras razões está por pouco. A Luta Olímpica (Wrestling / Greco Romana), tradicional desde os primeiros Jogos Olímpicos, há pouco tempo, quase foi eliminada dos Jogos, inclusive por ocasião de sua renovação, mudou até o nome da Federação Internacional. O próprio Judô esteve em perigo nos anos 90, talvez por isso iniciassem as mudanças galopantes nas regras.

Entidades esportivas internacionais de modalidades ainda não Olímpicas, reconhecidas pelo COI, lutam politicamente entre si, com o real propósito de verem suas modalidades incluídas no programa dos Jogos Olímpicos,  ao mesmo tempo em que outras poderão ser excluídas. 

Como praticante e profissional do Judô há sessenta anos entendo que necessitamos de uma reflexão para uma ação imediata, pois não podemos nos afastar da verdade do Judô.

Justifico, portanto minha indignação sobre o Judô praticado atualmente, ficando na expectativa de que o genuíno, o verdadeiro JUDÔ, embora acrescido de várias modificações, mantenha a beleza da alta performance técnica, a racionalidade e uma digna formação sob a luz da tradição e de toda bagagem filosófica e educacional do Professor Jigoro Kano.

Prof. Ms. Odair Borges


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