As luzes da arena se acendem e o silêncio toma conta. Não há gritos de torcida, nem o impacto seco das quedas de shiai. O que vemos agora é quase um ritual: Rodrigo Motta e Aline Sukino avançam para o tatame como quem pisa em um palco sagrado. O kata que irão executar — Kodokan Goshin-jutsu — é técnica; é narrativa corporal, é a dramatização da defesa pessoal elevada à arte.
Montreal, 2010. O 12th Open Masters Judo Championships recebe mestres de várias partes do mundo. Motta, então faixa preta 5º DAN, hoje é faixa vermelha e branca 7º DAN, surge com sua parceira Aline. Juntos, desenham no ar movimentos que parecem coreografados pela própria tradição do judô. Cada gesto é uma pintura em movimento, cada defesa uma escultura de disciplina e precisão.
Eles não conquistam a classificação final, mas o que entregam vai além de medalhas: é a demonstração de experiência, de respeito à história e de uma parceria que transforma técnica em espetáculo. O público assiste não a uma luta, mas a uma narrativa marcial — uma história contada sem palavras, apenas com o corpo.
Foi competição, mas foi também cinema ao vivo, poesia em ação, a lembrança de que o judô é tanto combate quanto arte.
Por: Boletim OSOTOGARI
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